O diálogo com os públicos e a interatividade
Gustavo Ferreira 30/04/2009
Depois de falar um pouco sobre a colaboração na web, voltei a ler o “Para entender a internet” e ao ler especificamente o texto “Interatividade”, de Alex Primo, surgiram alguns pontos em minha mente que me convidaram a escrever uma sequência de posts (3 com esse), vamos lá!
“Com a web 2.0, e a mudança do foco da publicação para a participação, passou-se a valorizar cada vez mais os espaços para interação mútua: o diálogo, o trabalho cooperativo, a construção coletiva do comum”. (Alex Primo, “Para entender a internet”, pag. 22)
Me identifiquei muito com a conceituação de interação mútua apresentada por Alex Primo e resolvi escrever um pouco sobre as 3 partes citadas: o diálogo, o trabalho cooperativo e a construção coletiva do comum, tendo em vista que são pontos essenciais para o trabalho de um Relações Públicas, principalmente atuando com as novas mídias digitais.
O primeiro ponto importante a ser levantado antes de começar a escrever sobre o diálogo é que não devemos confundir o movimento de ação e reação com o conceito de interatividade, pois interagir vai além de uma simples reação, como por exemplo uma reação mecânica (onde se aperta o on e o aparelho liga) ou uma reação como reflexo natural (levantar a perna ao ter o joelho estimulado). Esses itens não necessariamente significam que os indivíduos estão interagindo com o ambiente à sua volta.
Para tratar esse assunto um pouco mais profundamente (precisarei de mais alguns posts sobre isso), podemos iniciar a discussão da questão do diálogo falando sobre a Teoria da Bala Mágica, que considera os públicos como grandes grupos homogêneos, em que os indivíduos são igualmente impactados pelas informações dos veículos.
O diálogo
Quando me lembro das aulas na faculdade e/ou leio sobre a estrutura da mídia tradcional que insiste em enlatar conteúdos para “a massa”, me dá um certo incômodo, pois no dia-a-dia vejo uma sociedade que grita por personalização e que pede segmentação de conteúdo.
Estar atento ao que as individualidades dizem é mais fácil quando se estabelece um diálogo do que quando tenta-se “enfiar goela abaixo” conteúdos no formato 1 para todos, onde os veículos tentam ser donos dos conteúdos e os disseminam indistintamente, ignorando até mesmo diferenças culturais.
O diálogo é um processo que pede atenção, que exige cuidado e que propicia a construção de um relacionamento sólido, seja ele um relacionamento virtual ou presencial. Quando eu falo e você ouve e fala também e analisamos juntos caminhos e propostas para dar continuidade ao que conversamos, o conteúdo é enriquecido e pode ser disseminado para que agregue novas visões, respeitando limitações, crenças e interesses. Isso é diálogo.
Depois de “uma boa conversa” com seus públicos, você provavelmente estará melhor preparado para trabalhar para eles e principalmente trabalhar COM eles.
O próximo post será sobre o trabalho cooperativo.
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